Quando a Mulher Selvagem é silenciada: o que Mulheres que Correm com os Lobos nos ensina sobre o feminicídio

A violência contra a mulher e o feminicídio no Brasil não são acontecimentos isolados nem atos repentinos. Do ponto de vista da psicologia clínica e da psicologia jurídica, o feminicídio é o ponto final de um processo que começa muito antes, marcado por violência psicológica, controle, medo, culpa e silenciamento progressivo da mulher. Com o aumento dos casos nos últimos anos e as manifestações recentes de mulheres em diversas cidades do país, torna-se urgente compreender esse fenômeno de forma profunda, responsável e baseada em conhecimento científico.

Esta série foi construída como um estudo psicológico em três partes, justamente porque o tema é amplo, complexo e exige tempo de elaboração. Falar sobre feminicídio não é apenas falar sobre o crime, mas sobre os processos subjetivos e relacionais que antecedem a violência extrema. Por isso, cada parte aborda um aspecto essencial dessa trajetória, articulando clínica, teoria psicológica e realidade social.

Como eixo simbólico e teórico, a série dialoga com a obra Mulheres que Correm com os Lobos, da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, que apresenta o arquétipo da Mulher Selvagem — a dimensão instintiva, intuitiva e protetiva da psique feminina. Segundo a autora, quando essa dimensão é silenciada, a mulher perde a capacidade de reconhecer perigos, estabelecer limites e se proteger emocionalmente, tornando-se mais vulnerável a relações abusivas e violentas.

Além da psicologia analítica de base junguiana, os textos se apoiam em referenciais da Análise Clínica do Comportamento, da psicologia do trauma, dos estudos sobre violência doméstica, vínculo traumático e ciclo da violência, amplamente utilizados na prática clínica e jurídica. Esses aportes teóricos permitem compreender como a violência contra a mulher se constrói de forma gradual, muitas vezes invisível, e como pode — e deve — ser identificada antes que se torne fatal.

Ao longo da série, serão discutidos temas como:

  • violência psicológica como antecedente do feminicídio
  • silenciamento da intuição e da autoproteção feminina
  • padrões relacionais abusivos e o predador íntimo
  • feminicídio como processo, não como evento isolado
  • o significado psicológico das manifestações coletivas de mulheres

Este conteúdo tem caráter informativo, preventivo e clínico. Ele não substitui acompanhamento psicológico ou jurídico, mas busca oferecer compreensão, nomeação da violência e orientação. Falar sobre feminicídio é falar sobre preservação da vida, e isso exige escuta qualificada, responsabilidade ética e compromisso com a saúde mental das mulheres.

Quando a Mulher Selvagem é silenciada: o que Mulheres que Correm com os Lobos nos ensina sobre o feminicídio (Parte I)

Falar sobre feminicídio é, antes de tudo, falar sobre vida. Sobre vidas que foram interrompidas, mas também sobre muitas outras que vivem diariamente sob medo, controle e silenciamento. Do ponto de vista da psicologia clínica e da psicologia jurídica, o feminicídio não começa no ato final, no momento da agressão extrema. Ele começa muito antes, em processos sutis, muitas vezes invisíveis, que vão corroendo a autonomia, a intuição e a capacidade de autoproteção da mulher.

Os dados recentes sobre o aumento do feminicídio no Brasil reforçam aquilo que a prática clínica já conhece há muito tempo: a violência contra a mulher não surge de forma repentina. Ela se constrói em relações marcadas por controle emocional, medo, culpa e isolamento progressivo. A morte é o ponto final de uma história longa — e quase sempre anunciada.

É nesse contexto que a obra Mulheres que Correm com os Lobos, da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, oferece uma chave simbólica e psicológica fundamental para compreender o que está em jogo. Ao falar do arquétipo da Mulher Selvagem, a autora não se refere a algo instintivo no sentido de selvageria violenta, mas à dimensão mais profunda da psique feminina: aquela que percebe o perigo, estabelece limites, protege a vida e reconhece quando algo não está seguro.

Este texto é a primeira parte de uma série em três, justamente porque compreender o feminicídio exige tempo, elaboração e escuta. Nesta primeira parte, o foco está no silenciamento da Mulher Selvagem — um processo psíquico e social que antecede a violência extrema e que pode ser identificado, nomeado e interrompido.

O que Clarissa Pinkola Estés chama de “Mulher Selvagem”

A Mulher Selvagem como arquétipo psíquico

Na psicologia analítica de base junguiana, os arquétipos são estruturas universais da psique, padrões que organizam experiências humanas profundas. Para Clarissa Pinkola Estés, a Mulher Selvagem representa o arquétipo da vitalidade feminina instintiva: aquela parte da mulher que sabe, sente, percebe e reage antes mesmo de racionalizar.

Essa dimensão psíquica está diretamente ligada à intuição, à autoproteção, à capacidade de perceber perigos e de estabelecer limites emocionais e corporais. É a Mulher Selvagem que reconhece quando algo não está bem, quando uma relação machuca, quando o medo não é exagero, mas sinal de alerta.

Do ponto de vista clínico, essa ideia dialoga profundamente com autores que estudam a função adaptativa das emoções. O medo, por exemplo, não é um erro do sistema psíquico, mas um mecanismo de proteção. Como já apontava Baruch Spinoza, os afetos não são falhas morais, mas expressões da potência ou da diminuição da vida. Quando o medo surge de forma persistente em uma relação, ele precisa ser escutado — não combatido.

O que acontece quando essa dimensão é silenciada

O problema começa quando essa dimensão instintiva é desacreditada, reprimida ou silenciada — socialmente, culturalmente e dentro das próprias relações. Muitas mulheres aprendem, desde cedo, a duvidar do que sentem, a minimizar desconfortos, a confundir sofrimento com amor.

Na clínica, isso aparece como desconexão do corpo, dificuldade de reconhecer sinais físicos de tensão e perigo. Surge também a dificuldade de dizer não, o medo de impor limites e a confusão constante entre cuidado e controle. O que machuca passa a ser justificado. O que dói passa a ser normalizado.

Clarissa Pinkola Estés descreve esse processo como uma espécie de empobrecimento psíquico: a mulher vai se afastando da própria natureza instintiva e passa a viver em função da adaptação ao outro. O sofrimento deixa de ser sinal e passa a ser regra. Do ponto de vista da psicologia clínica, esse é um terreno fértil para relações abusivas se instalarem.

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A violência que não deixa marcas visíveis

Violência psicológica: o início do ciclo

A maioria dos casos de feminicídio é precedida por um longo histórico de violência psicológica. Diferente da agressão física, ela não deixa marcas visíveis, mas produz danos profundos e duradouros. Trata-se de uma violência que se apresenta, muitas vezes, de forma disfarçada: controle que se chama cuidado, ciúme que se chama amor, vigilância que se chama preocupação.

Esse tipo de violência inclui a necessidade constante de saber onde a mulher está, com quem fala, como se veste, o que pensa. Aos poucos, instala-se uma vigilância emocional que vai restringindo a liberdade e produzindo isolamento progressivo. Amigos se afastam, a família deixa de ser referência, e a mulher passa a existir quase exclusivamente dentro da lógica da relação.

Autores que estudam o ciclo da violência, como Lenore Walker, já demonstraram que esse processo não é acidental. Ele segue padrões relativamente estáveis, nos quais o controle antecede a agressão explícita. A violência psicológica é o alicerce sobre o qual a violência física pode, mais tarde, se sustentar.

Medo, culpa e confusão como ferramentas de dominação

Para que esse sistema funcione, três afetos são constantemente mobilizados: medo, culpa e confusão. A culpa faz com que a mulher se responsabilize pelo comportamento do agressor. O medo impede o rompimento. E a confusão embaralha a percepção da realidade.

Na prática clínica, é comum ouvir frases como: “Talvez eu esteja exagerando”, “Ele só faz isso porque me ama”, “Se eu fosse diferente, isso não aconteceria”. Esses pensamentos não surgem do nada. Eles são produzidos dentro de uma dinâmica relacional que desautoriza a experiência subjetiva da mulher.

A filósofa Hannah Arendt, ao analisar sistemas de dominação, já apontava como a banalização do mal depende da normalização da violência cotidiana. Quando o sofrimento se torna rotina, ele deixa de ser questionado. É exatamente aí que a violência psicológica cumpre sua função mais perigosa: tornar o inaceitável suportável.

Quando a intuição é desacreditada

A perda da escuta interna

Um dos efeitos mais profundos da violência psicológica é o apagamento da escuta interna. A mulher deixa de confiar no que sente, no que percebe, no que o próprio corpo sinaliza. Na clínica, esse processo aparece de forma recorrente em perguntas que revelam dúvida constante sobre si mesma: “Estou exagerando?”, “Será que a culpa é minha?”, “Talvez eu esteja interpretando tudo errado.”

Clarissa Pinkola Estés descreve esse movimento como uma ruptura com a Mulher Selvagem. Quando a intuição é desacreditada repetidamente — seja pelo parceiro, pela família ou pela própria cultura —, a mulher aprende a se adaptar ao perigo em vez de reconhecê-lo. O medo deixa de ser um aviso e passa a ser vivido como falha pessoal.

Do ponto de vista da psicologia, esse processo dialoga com estudos sobre gaslighting, uma forma de manipulação psicológica em que a vítima passa a duvidar da própria percepção da realidade. A violência não está apenas no que é feito, mas no modo como o sentido do que é vivido é constantemente distorcido.

A clínica mostra: o corpo percebe antes da mente

Mesmo quando a mente racional tenta justificar ou minimizar a violência, o corpo costuma perceber antes. Na prática clínica, é comum observar ansiedade persistente, sensação de alerta constante, tensão muscular, alterações no sono, problemas gastrointestinais e outros sintomas psicossomáticos.

Esses sinais não são aleatórios. Eles indicam que o organismo está funcionando em estado de ameaça contínua. Autores da psicologia do trauma, como Judith Herman, explicam que, em contextos de violência prolongada, o corpo permanece em hipervigilância, como se o perigo nunca cessasse.

Quando uma mulher relata “medo sem nome”, sensação de estar sempre pisando em terreno instável, isso não deve ser tratado como fragilidade emocional. Trata-se de uma resposta adaptativa a um ambiente relacional inseguro. O problema é que, quando esse estado se prolonga, ele fragiliza a capacidade de reação e aumenta a vulnerabilidade.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que a psicologia diz sobre o início do feminicídio?

Do ponto de vista da psicologia clínica e jurídica, o feminicídio não começa no ato final. Ele é o desfecho de um processo gradual, marcado por violência psicológica, controle, medo, culpa e isolamento. Reconhecer esses sinais precocemente é fundamental para a prevenção.

O que significa a “Mulher Selvagem” em Mulheres que Correm com os Lobos?

A Mulher Selvagem, conceito apresentado por Clarissa Pinkola Estés, representa a dimensão instintiva e intuitiva da psique feminina, responsável pela autoproteção, percepção de perigo e estabelecimento de limites. Quando essa dimensão é silenciada, a mulher fica mais vulnerável a relações abusivas e à violência.

Violência psicológica pode levar ao feminicídio?

Sim. A violência psicológica é um dos principais antecedentes do feminicídio. Ela enfraquece a autonomia da mulher, produz confusão emocional, medo constante e dificulta o rompimento da relação, criando um cenário de alto risco que pode evoluir para a violência física extrema.

Quando procurar ajuda psicológica em situações de violência emocional?

A ajuda psicológica deve ser buscada ao perceber sinais como medo constante, controle excessivo, confusão emocional, dificuldade de dizer não e sensação de estar se perdendo de si mesma. Procurar ajuda não é fraqueza, é um ato de autoproteção e cuidado com a própria vida.

Padrões relacionais abusivos: quando o perigo se repete

Relações que se estruturam no controle

A violência contra a mulher raramente acontece em relações pontuais ou episódicas. Ela se organiza em padrões relacionais, muitas vezes repetidos ao longo da vida. Relações abusivas costumam se estruturar a partir de desigualdade de poder, dependência emocional e silenciamento da autonomia.

Na clínica, observa-se que muitas mulheres cresceram em contextos nos quais o afeto estava condicionado à obediência, ao silêncio ou à adaptação. Isso não significa que a mulher “escolhe” a violência, mas que aprende, desde cedo, a reconhecer o amor a partir de referências distorcidas.

A Análise Clínica do Comportamento contribui para essa compreensão ao mostrar que comportamentos são moldados pela história de reforços e punições. Quando o cuidado vem misturado com controle, quando o afeto aparece depois da agressão, cria-se um padrão confuso, difícil de romper.

Por que sair não é simples

Uma das perguntas mais frequentes — e mais cruéis — feitas às mulheres em situação de violência é: “Por que ela não saiu antes?” Essa pergunta ignora completamente os vínculos traumáticos que se estabelecem nessas relações.

O vínculo traumático se caracteriza pela alternância entre momentos de afeto intenso e episódios de violência ou ameaça. Após a agressão, vêm pedidos de desculpa, promessas de mudança, demonstrações de carinho. Esse movimento cria o que a psicologia chama de reforço intermitente — um dos padrões mais poderosos de manutenção de comportamento.

Além disso, há o medo real: medo de retaliação, medo de não ser acreditada, medo de ficar sozinha, medo de perder filhos, recursos ou a própria vida. Em muitos casos, a tentativa de rompimento é justamente o momento de maior risco, como demonstram estudos sobre feminicídio íntimo.

O feminicídio como ponto final de um processo

O erro de pensar o crime como “repentino”

Quando um caso de feminicídio é noticiado, ainda é comum ouvir explicações como “foi um surto”, “ninguém imaginava”, “era um homem tranquilo”. Essa narrativa apaga toda a história de violência anterior e contribui para a banalização do problema.

Do ponto de vista psicológico e jurídico, o feminicídio raramente é um evento isolado. Ele é o ponto final de um processo gradual, marcado por escalada da violência, tentativas de controle cada vez mais intensas e, muitas vezes, sinais claros de risco que não foram devidamente acolhidos.

Essa falsa ideia do surto serve para proteger o agressor e desresponsabilizar a sociedade. Ao tratar o crime como imprevisível, perde-se a oportunidade de discutir prevenção, escuta e intervenção precoce.

O que a psicologia clínica e jurídica observa na prática

Na atuação clínica e na psicologia jurídica, o que se observa são históricos repetidos de abuso, registros de ameaças, episódios de violência psicológica e física, além de falhas importantes na rede de proteção. Muitas mulheres buscaram ajuda antes, mas não foram levadas a sério.

A psicologia jurídica atua justamente nesse ponto: identificar padrões, avaliar riscos, produzir laudos técnicos e oferecer subsídios para decisões judiciais mais responsáveis. Quando a violência é nomeada cedo, as chances de proteção aumentam.

O papel da psicologia: nomear, interromper, proteger

A importância da escuta clínica qualificada

Um dos papéis centrais da psicologia diante da violência contra a mulher é nomear aquilo que foi normalizado. Muitas mulheres chegam à clínica sem conseguir chamar o que vivem de violência. Elas falam de cansaço, confusão, medo constante, sensação de estar sempre errando. A escuta clínica qualificada permite transformar o indizível em palavra — e a palavra em possibilidade de proteção.

Na Análise Clínica do Comportamento, compreender a função do sofrimento é essencial. Não se trata de perguntar “por que você permite isso?”, mas de entender como aquele padrão se construiu, quais histórias de reforço estão em jogo e quais recursos psíquicos foram sendo enfraquecidos ao longo do tempo. Validar a experiência da mulher não significa incentivá-la a permanecer na relação, mas reconhecer que ela fez o possível para sobreviver dentro das condições que tinha.

A psicologia do trauma, representada por autoras como Judith Herman, reforça que o reconhecimento da violência é um passo fundamental para a reconstrução da autonomia. Enquanto o sofrimento não é nomeado, ele tende a se repetir. Quando é reconhecido, abre-se a possibilidade de ruptura.

Psicologia jurídica e proteção da vida

Em muitos casos, a escuta clínica precisa caminhar junto da psicologia jurídica. Avaliações psicológicas, laudos técnicos e pareceres especializados são instrumentos fundamentais para dar visibilidade à violência que não aparece em fotos ou exames físicos. A violência psicológica deixa marcas profundas, e essas marcas precisam ser traduzidas em linguagem técnica para que o sistema de justiça possa agir.

A psicologia jurídica atua na identificação de padrões de risco, na avaliação do impacto psíquico da violência e no suporte à tomada de decisões judiciais que envolvem medidas protetivas, guarda de filhos e responsabilização do agressor. Trata-se de um trabalho técnico, ético e comprometido com a preservação da vida.

Ignorar os sinais psicológicos da violência é negligenciar aquilo que, muitas vezes, antecede o feminicídio. Quando a escuta especializada é desconsiderada, perde-se uma chance real de intervenção.

Uivar antes que seja tarde

Pedir ajuda não é fraqueza

Um dos maiores mitos que cercam a violência contra a mulher é a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Pelo contrário. Pedir ajuda é um ato de autoproteção, sobrevivência e retomada da própria voz. É o momento em que a Mulher Selvagem — aquela dimensão instintiva descrita por Clarissa Pinkola Estés — tenta se reorganizar e sinalizar que algo precisa mudar.

Uivar, na linguagem simbólica do livro, não é gritar descontroladamente. É emitir um som que chama a matilha, que rompe o isolamento e convoca apoio. Na vida real, isso pode significar procurar uma psicóloga, conversar com alguém de confiança, registrar uma denúncia ou simplesmente admitir para si mesma que aquela relação machuca.

Quando procurar ajuda psicológica

A ajuda psicológica deve ser buscada antes que a violência se torne extrema. Alguns sinais importantes incluem: • medo constante ou sensação de alerta permanente • controle excessivo disfarçado de cuidado • confusão emocional persistente • dificuldade de reconhecer a própria vontade • sensação de estar se perdendo de si mesma

Esses sinais não devem ser minimizados. Eles indicam que a Mulher Selvagem está sendo silenciada — e que a vida precisa ser protegida.

Este post faz parte de uma série

Parte 2: Barba-Azul existe

No próximo texto da série, o foco estará no agressor íntimo, representado simbolicamente pelo mito de Barba-Azul. Será discutido como reconhecer o predador antes que a violência atinja níveis extremos e quais sinais costumam ser ignorados no início das relações abusivas.

Parte 3: Uivar juntas

No último texto, a análise se amplia para o campo coletivo. As manifestações de mulheres contra o feminicídio serão compreendidas como um processo psicológico e social, no qual o grito coletivo funciona como reconstrução da voz, da proteção e do pertencimento.

Fale com uma psicóloga

Se você se identificou com partes deste texto ou percebe sinais de violência em sua história ou na de alguém próximo, saiba que você não precisa enfrentar isso sozinha. A psicóloga Daniele Pereira e Silva atua com psicologia clínica e jurídica, oferecendo um espaço de escuta ética, sigilosa e responsável.

O atendimento pode ser realizado em Goiânia ou na modalidade online, sempre com foco na proteção da vida, no fortalecimento da autonomia e na reconstrução da história subjetiva.

Falar é o primeiro passo. Uivar, às vezes, é sobreviver.

Se você precisa de orientação psicológica, acolhimento ou avaliação especializada, entre em contato ou visite nossa página no Instagram. Você não precisa enfrentar tudo sozinho. A Dani está pronta para te ouvir.

Referências

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

HERMAN, Judith Lewis. Trauma e recuperação: as consequências da violência – do abuso doméstico ao terror político. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

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ARENDT, Hannah. Responsabilidade e julgamento. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FROMM, Erich. A arte de amar. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artmed, 1983.

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BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Violência contra a mulher: dados e indicadores nacionais. Brasília: MJSP, 2023.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2023.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Violence against women: global estimates. Geneva: World Health Organization, 2021.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) em situações de violência contra a mulher. Brasília: CFP, 2020.

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