O que “História de um Casamento” nos ensina sobre Psicologia Jurídica, Perícia Psicológica e o bem-estar das crianças

Quando assistimos História de um Casamento, a sensação é a de entrar silenciosamente em uma casa que está desmoronando por dentro. Não há vilões explícitos, não há cenas de explosão emocional gratuita. O que vemos é algo muito mais próximo da realidade: duas pessoas que se amaram profundamente, tentando fazer o melhor que podem — e falhando no processo.

Como psicóloga clínica e jurídica, sempre que eu revejo o filme, acontece o mesmo movimento interno: observo cada gesto, cada silêncio constrangido, cada frase que tenta resolver e acaba machucando. E me pergunto: em que momento o amor que existia deixou de ser ponte e se transformou em fronteira?
Mas, sobretudo: em que momento o pequeno Henry começou a carregar o peso que não era dele?

Esse é o ponto-chave.
Não é um filme sobre separação. É um filme sobre como um conflito que começou entre adultos pode, aos poucos, escorrer para dentro da vida emocional de uma criança.

E isso, infelizmente, é muito comum na vida real.

Em Goiânia, em atendimentos clínicos e em processos judiciais, vejo famílias que iniciam exatamente assim: com pequenas desavenças, mágoas que parecem inofensivas, acordos frágeis, tentativas de preservar o afeto — até que a tensão se torna maior que a capacidade de diálogo. É nesse instante que o conflito, mesmo sem intenção, encosta nas crianças. E, quando isso acontece, todo cuidado passa a ser pouco.

A Psicologia Jurídica nasce exatamente nesse território:
no espaço em que o sofrimento emocional encontra o sistema de Justiça, e onde decisões precisam ser tomadas a partir de um olhar que vá além dos autos, dos relatos e das versões dos adultos.

No Brasil, casos como o de História de um Casamento exigiriam não apenas advogados. Exigiriam também:

avaliação psicológica das dinâmicas familiares,
análise detalhada do impacto emocional da separação na criança,
mediação orientada,
– e, dependendo da gravidade, uma perícia psicológica completa, com laudo capaz de ajudar o juiz a enxergar o que os olhos não veem: como Henry está vivendo tudo isso por dentro.

E eu sempre penso: se Charlie e Nicole fossem brasileiros, morassem em Goiânia e batessem à porta da Vara de Família, seria inevitável que a Psicologia Jurídica se fizesse presente — não para decidir por eles, mas para proteger o único que não escolheu nada daquilo.

Porque, quando falamos da Justiça envolvendo crianças, o foco nunca é “quem está certo”.
O foco é quem está sofrendo — e quem corre risco de sofrer mais.

A psicologia jurídica olha para a história por dentro.
Ela pergunta:

– Como está o vínculo dessa criança com cada responsável?
– Há sinais de manipulação emocional, pressão ou sobrecarga afetiva?
– Essa mudança de cidade é segura?
– Essa disputa está deixando marcas?
– Essa família precisa de perícia, de mediação, de aconselhamento parental?

E, acima de tudo:
o que é melhor para Henry — e não apenas juridicamente, mas emocionalmente?

O cinema nos permite observar essa história com o distanciamento confortável da ficção. Mas, na vida real, o sofrimento é concreto. Existem crianças confusas, pais exaustos, mães sobrecarregadas, advogados tensos, juízes divididos — e um ecossistema emocional complexo que precisa de cuidado técnico, ético e humano.

Por isso, neste texto, vamos revisitar a história de Charlie, Nicole e Henry com o olhar mais importante nesse tipo de situação:
o olhar da Psicologia Jurídica e da Perícia Psicológica — aquele que cuida da verdade emocional dos envolvidos e que protege, antes de tudo, a criança.

Prepare-se para caminhar pelo filme com novas lentes: as lentes que revelam aquilo que normalmente passa despercebido, mas que determina completamente o que acontece em uma disputa de guarda no Brasil.

Psicologia Jurídica e contracapa do post - Perícia Psicológica em Goiânia – Daniele Pereira e Silva (2)

O enredo em poucas linhas: amor, ruptura e uma criança no meio

Separações não costumam começar com gritos. Muitas vezes, começam com silêncios. Com pequenas desistências. Com o cansaço de tentar ser ouvido sem, de fato, conseguir falar. É assim que História de um Casamento se inicia: com duas pessoas que ainda se reconhecem como família — mas já não conseguem mais se reconhecer como par.

No filme, Charlie e Nicole vivem aquela fase tênue em que o afeto ainda existe, mas já não sustenta os mesmos acordos. É como se o casamento estivesse “funcionando por inércia”. E quem descreve magistralmente essa sensação é Donald Winnicott, quando fala da “falha ambiental cumulativa”: não é um único evento que rompe a estrutura emocional, mas a soma de pequenas falhas repetidas ao longo do tempo.

A princípio, os dois tentam um divórcio amigável. Tentam manter Henry longe do conflito. Tentam dialogar.
Mas, como bem diria Minuchin, referência na terapia familiar, as famílias em crise frequentemente passam por um processo de “rigidez sistêmica”: os papéis ficam inflexíveis, ninguém consegue ceder, e o que deveria ser solução vira um campo de batalha afetiva.

No meio desse tensionamento crescente está Henry: uma criança doce, observadora, que claramente sente mais do que consegue expressar.
E aqui vale lembrar Bowlby, pai da Teoria do Apego, que reforça que “crianças não reagem ao conflito apenas quando são envolvidas diretamente — elas reagem à atmosfera emocional”. Ou seja: mesmo que não haja brigas explícitas, o corpo da criança percebe.

O enredo se desenrola em três movimentos principais:

Quem são Charlie, Nicole e o pequeno Henry

Charlie é diretor de teatro, apaixonado pelo que faz e emocionalmente centrado no trabalho. Nicole é atriz, talentosa, vibrante, mas sente que sua identidade foi engolida pelo sonho profissional do marido.
Henry, o filho, funciona como uma espécie de “bússola emocional” da família: aquilo que acontece nele reflete o que está acontecendo entre os pais.

No início, percebemos que Henry é colocado como ponte — um mediador involuntário — e isso já é um sinal delicado. Crianças não são pontes; são pessoas em formação. E todo excesso emocional que passam a carregar cobra um preço.

Como começa o conflito: quando o diálogo se perde

O filme não mostra grandes traições, agressões ou uma ruptura drástica.
Em vez disso, testemunhamos o que Norbert Elias chamaria de “processos longos de distanciamento afetivo”: a lenta desmontagem diária da intimidade.

Quando Nicole decide mudar para Los Angeles com o filho, justificando a necessidade de retomar sua própria vida, inicia-se a divergência central:
Onde Henry deve viver? E com quem?

Essas perguntas, que deveriam ser tratadas com calma, viram armas emocionais — algo que acontece com frequência em separações reais.

No Brasil, essa é exatamente a fase em que, se o casal chegasse ao sistema jurídico, o juiz provavelmente recomendaria:

• mediação familiar
• orientação parental
• ou, se a tensão já estivesse elevada, avaliação psicológica da família

Justamente para evitar que a disputa vire litígio.

A escalada do litígio: advogados, acusações e desgaste emocional

Quando Nicole contrata uma advogada que transforma a narrativa em um caso de disputa “vencedor vs. perdedor”, o tom da história muda.
A cada acusação, a cada exigência, mais distante fica a possibilidade de diálogo.

Michel Foucault, ao discutir relações de poder, diz que “não existe relação humana sem luta por definição de verdade”. No filme, isso se revela quando cada um começa a construir a própria versão do que aconteceu. E quando duas “verdades emocionais” entram em confronto, quem perde costuma ser… a criança.

No auge do litígio, a família deixa de existir como unidade e se transforma em processo.
E quando a família vira processo, entra em cena a Psicologia Jurídica.

Se esse caso fosse brasileiro, a essa altura:

– o juiz poderia solicitar uma perícia psicológica
– os pais seriam entrevistados separadamente
– Henry seria avaliado por testes, brincadeiras dirigidas e observação clínica
– seriam examinados vínculos, rotinas, coerência emocional, sinais de risco
– tudo isso geraria um laudo psicológico, documento fundamental em disputas de guarda

No filme, essa etapa não aparece — mas a história mostra muito claramente o que acontece quando ela falta.

Sem o olhar técnico, cada adulto segue achando que está “protegendo a criança”, enquanto, na prática, a criança tenta sobreviver à tempestade.

1. O que a Psicologia Jurídica analisa em casos de separação?

A Psicologia Jurídica avalia o impacto emocional da ruptura nos pais e na criança. Observa vínculos, comunicação, riscos emocionais, cooperação parental e fatores que influenciam a segurança da criança, sempre guiada pelo melhor interesse do menor.

2. A perícia psicológica é necessária em toda disputa de guarda?

Não. A perícia é indicada quando há conflito intenso, mudança brusca de rotina, versões contraditórias ou sinais de sofrimento emocional na criança. Ela ajuda o juiz a tomar decisões mais humanas e fundamentadas.

3. O filme “História de um Casamento” mostra alienação parental?

O filme não mostra alienação consolidada, mas diversos riscos emocionais que, na vida real, poderiam evoluir para alienação se não fossem acompanhados por profissionais e pelo sistema jurídico.

4. O que a perícia psicológica avaliaria no caso do filme?

A perícia observaria vínculos, ansiedade, sobrecarga emocional, impacto da mudança de cidade, capacidade parental de ambos e a rotina da criança. O laudo apontaria qual organização familiar protege mais Henry.

Onde tudo começa: comunicação falha e tensões não resolvidas

Separações raramente começam com um escândalo. Na maior parte das vezes, começam como em História de um Casamento: de maneira silenciosa. Aos poucos. Como pequenas rachaduras que, quando vistas de fora, parecem irrelevantes — mas por dentro já comprometeram toda a estrutura emocional da relação.

Na Psicologia Jurídica, chamamos essa fase inicial de zona de risco:
um período em que o casal ainda tenta manter a rotina, mas já não fala sobre o que realmente importa. Quando a comunicação falha, a criança começa a captar o que não é dito — e é nesse ponto que o sofrimento silencioso começa a se instalar.

O filme mostra isso com um cuidado quase cirúrgico.

Charlie acredita que tudo está “sob controle”.
Nicole acredita que está “se anulando” há anos.
E Henry… apenas observa. Ele percebe que algo está errado, mas não sabe onde colocar esse sentimento.

A comunicação, que deveria ser ponte, vira ruído.

O que vemos no filme: mágoas antigas que viram munição

A primeira grande ruptura acontece quando Nicole decide mudar-se para Los Angeles com Henry.
Não há gritos, não há violência. Mas há algo ainda mais perigoso: decisões unilaterais.

Na clínica e nos processos judiciais, essa é uma das principais fontes de conflito entre pais:
– escolhas importantes que não são conversadas,
– decisões que não são construídas juntos,
– expectativas que nunca foram verbalizadas.

O filme mostra essa dinâmica com precisão: Nicole não expressa abertamente sua frustração ao longo dos anos; Charlie não percebe que está ocupando todo o espaço do casal com seu trabalho. Até que a comunicação — já fragilizada — quebra.

Minuchin, ao descrever famílias em desorganização, explica que “quando as fronteiras se tornam rígidas demais, a comunicação perde flexibilidade e vira ataque ou retraimento”.
É exatamente isso que vemos na tela.

E quando mágoas acumuladas encontram advogados dispostos a transformá-las em argumento jurídico… a disputa ganha vida própria.

Como isso aparece na vida real: padrões disfuncionais comuns

Em Goiânia, no consultório e em perícias, esse padrão aparece de forma assustadoramente frequente:

1. O casal já não conversa sobre o que sente
Falando apenas sobre logística: escola, horários, o que comprar no mercado.
Emocionalmente, já vivem como estranhos.

2. Cada um começa a criar “verdades privadas”
“Ele não percebe nada.”
“Ela nunca fica satisfeita.”
Essas narrativas ficam tão fortes que substituem o diálogo.

3. A criança entra no campo emocional dos pais sem perceber
Ela sente tensão, evita perguntas, tenta agradar os dois.
O corpo dela vira um barômetro da atmosfera da casa.

Bowlby, na Teoria do Apego, reforça exatamente esse ponto: crianças não precisam entender a situação para sentir o impacto emocional dela.
O filme ilustra isso de forma sutil, mas poderosa — Henry está sempre tentando parecer “ok”, sempre tentando não dar trabalho. Esse comportamento é típico de crianças que percebem, intuitivamente, que os pais estão fragilizados.

O que a Psicologia Jurídica investigaria no Brasil

Se essa situação chegasse à Vara de Família em Goiânia, antes mesmo de pensar em guarda, o juiz observaria elementos como:

• Há comunicação mínima entre os pais?
Se não houver, pode ser sugerida mediação familiar.

• A mudança de cidade foi discutida?
Mudanças geográficas envolvendo criança são analisadas com muito cuidado na Psicologia Jurídica, porque podem alterar vínculos, rotina e segurança afetiva.

• Há risco de sobrecarga emocional para Henry?
A análise não é sobre o que os pais sentem — mas sobre o que a criança está absorvendo.

• Há indícios de que um dos pais está criando narrativas desqualificadoras sobre o outro?
Aqui já começamos a entrar no território da alienação parental, mesmo que ainda de forma sutil.

• Seria necessária uma avaliação psicológica?
Em casos de comunicação rompida e decisões importantes tomadas sem diálogo, sim.
O objetivo seria mapear vínculos, entender a história e orientar caminhos seguros.

Como diria Winnicott, “uma criança precisa de um ambiente suficientemente bom para crescer”.
E quando o ambiente está emocionalmente trincado — como no caso de Charlie, Nicole e Henry — a Psicologia Jurídica entra justamente para tentar restaurar esse ambiente, antes que ele desmorone.

A criança no centro do conflito: sinais de sofrimento emocional

Se existe um personagem em História de um Casamento que diz tudo sem precisar falar, esse personagem é Henry.
A maior parte do que ele expressa é pelo corpo, pela postura, pelos silêncios, pelo jeito de se mover entre os pais — tentando não desencadear nenhum novo atrito.

Em separações reais, a criança vive exatamente esse dilema:
como existir no meio de dois mundos que se afastam sem se sentir partida ao meio?

É por isso que, na Psicologia Jurídica, sempre que uma família chega em litígio, o primeiro olhar se volta para a criança — para seus sinais, suas mudanças, seus silêncios, suas tentativas de adaptação.

Em História de um Casamento, Henry demonstra um tipo muito comum de sofrimento: a hiperadaptação.
Ele tenta ser fácil, tenta não dar trabalho, tenta estar bem o tempo todo — mesmo quando claramente está confuso.

E aqui vale lembrar o que diz Winnicott quando fala do “falso self”: a criança muitas vezes cria uma versão funcional dela mesma para sobreviver emocionalmente ao caos externo.

É exatamente isso que vemos no filme.

Vamos analisar em partes.

O comportamento de Henry no filme

Henry não expressa grande revolta ou tristeza explícita.
Ele reage como muitas crianças reagem:
– fica mais quieto ao perceber tensão,
– muda o comportamento conforme está com um ou com outro,
– evita perguntas difíceis,
– tenta agradar ambos os lados,
– finge não notar quando o clima está pesado.

Há uma cena especialmente simbólica:
Henry está claramente cansado e irritado, mas Nicole insiste em fazê-lo participar de uma brincadeira para provar ao advogado que ela é uma “boa mãe”.

Esse é o tipo de situação que, na vida real, vemos com frequência:

a criança sendo transformada em cenário, evidência ou argumento.

Não é maldade dos pais.
É desespero.
É medo de perder.
É tentativa de provar algo para o sistema jurídico — não para a criança.

Mas, emocionalmente, isso pesa muito.

Sinais de estresse, ansiedade e confusão emocional em crianças

Na prática clínica e nas perícias psicológicas, os sinais que mais observamos em crianças como Henry incluem:

1. Hiperadaptação (parecem “fortes demais”)
A criança tenta ser sempre tranquila, responsável e madura.
Isso não é maturidade real; é defesa emocional.

2. Mudanças no sono ou no apetite
Mesmo que o filme não mostre diretamente, esse é um padrão muito comum em disputas familiares.

3. Dificuldade de concentração
A criança perde foco, parece cansada o tempo todo.

4. Mensagens contraditórias
Com a mãe, Henry evita decepcioná-la.
Com o pai, tenta parecer alegre.
Crianças em litígio aprendem a ser “duas pessoas”.

5. Ansiedade antecipatória
Quando a criança começa a agir de acordo com o que acredita que cada adulto quer dela.

Bowlby descreve isso como “organização ansiosa do apego”: a criança tenta controlar o ambiente emocional para evitar perdas, rejeições ou conflitos.

Como uma avaliação psicológica poderia ajudar a proteger o menor

Se a história acontecesse em Goiânia e chegasse ao sistema judicial, o juiz provavelmente determinaria uma avaliação psicológica da criança para observar:

1. Vínculo com cada genitor

Como Henry se comporta com a mãe?
Como se comporta com o pai?
Há diferenças bruscas?
Ele parece confortável com ambos?

2. Grau de sofrimento emocional

Há ansiedade evidente?
Há sinais de medo, culpa, lealdade dividida?

3. Se a criança está sendo pressionada emocionalmente

Mesmo de forma não intencional, isso pesa.

No filme, por exemplo, quando Nicole insiste em provar que o filho está bem com ela, isso já indicaria a necessidade de uma orientação:

A criança não deve ser avaliada pelo modo como “performar” para agradar o adulto.

4. Estabilidade da rotina e previsibilidade emocional

Para Bowlby, previsibilidade é um dos pilares da segurança emocional.

Quando a criança perde isso — novos horários, novas casas, novas regras — o risco aumenta.

5. Necessidade de acompanhamento psicológico infantil

Henry, no filme, claramente se beneficiaria de um espaço neutro onde pudesse expressar seus sentimentos sem medo de decepcionar ninguém.

A Psicologia Jurídica não entra para punir nenhum dos pais.
Ela entra porque crianças não conseguem dizer com clareza o que sentem.
Elas precisam de alguém que leia o comportamento delas com cuidado — e as proteja quando o conflito dos adultos ocupa espaço demais.

Em História de um Casamento, esse olhar técnico e neutro teria feito uma diferença profunda na trajetória emocional de Henry.

Há alienação parental no filme? Uma análise cuidadosa

Uma das perguntas que sempre surge quando atendemos casos de separação litigiosa é:
“Isso que está acontecendo é alienação parental?”

Em História de um Casamento, essa dúvida aparece naturalmente. Nicole e Charlie não são agressores, não são manipuladores deliberados — são pessoas feridas tentando defender suas verdades. E é justamente por isso que o filme é tão bom para discutirmos o tema: ele mostra que nem toda situação de conflito envolve alienação parental, mas muitas envolvem risco de alienação.

A alienação parental, no Brasil, é definida pela Lei 12.318/2010 como qualquer interferência na formação psicológica da criança que a leve a rejeitar injustificadamente um dos genitores.
Ou seja: não é sobre “falar mal do outro” uma vez. É sobre um padrão de comportamentos que coloca a criança contra o outro responsável.

E é aqui que precisamos olhar para o filme com atenção técnica.

O que é alienação parental segundo a lei brasileira (Lei 12.318/2010)

A lei traz exemplos claros de comportamentos alienadores, como:

– dificultar contato da criança com o outro responsável;
– fazer falsas acusações para prejudicar o vínculo;
– omitir informações importantes sobre a vida do menor;
– colocar a criança para “escolher” um lado;
– desqualificar o pai/mãe sistematicamente.

Esses comportamentos, quando repetidos e intencionais, configuram alienação parental.

Mas, na prática, a Psicologia Jurídica sabe que nem sempre há intenção, e ainda assim há dano.

Como diz a psicanalista Françoise Dolto, “a criança não é responsável pelo que sente, mas é profundamente afetada pelo que os adultos não conseguem elaborar”.

Ou seja: mesmo quando não há má fé, há consequências.

Momentos do filme que se aproximam do conceito

Tecnicamente, História de um Casamento não mostra alienação parental direta.
Mas mostra situações que, numa família real, acenderiam sinais de alerta.

1. A mudança unilateral para Los Angeles

Nicole muda com Henry sem construir a decisão com Charlie.
Essa atitude, no Brasil, é vista com cautela porque:

– rompe rotina
– dificulta convivência
– pode gerar afastamento involuntário

Isso não é alienação por si só, mas pode produzir efeitos alienadores, especialmente se a comunicação já estiver rompida.

2. Momentos de exposição emocional diante do filho

Como quando Nicole precisa provar que a criança “está ótima” com ela.

Expor a criança ao clima emocional do conflito pode gerar:

– lealdade dividida
– ansiedade
– irritabilidade
– confusão afetiva

Não é alienação, mas é risco.

3. O discurso dos adultos começa a competir dentro da cabeça da criança

Henry recebe mensagens indiretas:
Amor, culpa, expectativas, medos — tudo ali, sob a forma de silêncio ou exagero de afeto.

O problema é que criança não sabe filtrar.
Ela apenas absorve.

No Brasil, isso já seria um motivo legítimo para uma avaliação psicológica, não por culpa, mas por prevenção.

4. A advogada de Nicole cria uma narrativa de “perigo” em relação ao pai

Mesmo não sendo verdadeira, essa narrativa jurídica poderia facilmente gerar comportamentos alienadores se fosse reforçada no cotidiano.

O filme evita mostrar a própria mãe alimentando isso, mas mostra como o sistema jurídico mal conduzido pode fomentar alienação — mesmo que o adulto não queira.

Onde o filme não mostra alienação, mas mostra risco de alienação

Existem cenas que revelam risco, não prática.
E isso é extremamente importante.

Na vida real, 80% dos casos que chegam à Psicologia Jurídica não são alienação parental consolidada — são conflitos que, se não forem acompanhados, podem virar alienação.

Exemplo do filme:

– Henry evita contar certos sentimentos ao pai para não magoá-lo.
– Nicole tenta se justificar emocionalmente através da criança.
– Charlie, sem perceber, cobra de Henry uma maturidade que ele não tem.

Esses comportamentos todos são sinais de alerta.

Como diz Winnicott:
“Quando o ambiente falha, a criança tenta manter o mundo unido sozinha — e isso custa caro.”

O filme é exemplar para mostrar isso: Henry tenta manter o mundo unido.

E se essa história fosse no Brasil? O olhar jurídico e psicológico

Se chegasse à Justiça brasileira, o juiz faria uma distinção fundamental:

Não há evidências diretas de alienação parental,
mas há elementos suficientes para risco emocional da criança.

O que levaria a:

– avaliação psicológica
– possível perícia psicológica familiar
– recomendação de mediação
– reorganização de convivência
– monitoramento dos efeitos da mudança de cidade
– preservação dos vínculos com ambos os genitores
– orientação parental

O objetivo não seria punir ninguém, mas proteger Henry de se tornar guardião das emoções dos adultos.

Se a história acontecesse no Brasil: quando a Justiça poderia intervir

Quando uma separação envolve mudança de cidade, rotina quebrada e uma criança que ainda não compreende a dimensão do que está vivendo, o sistema de Justiça brasileiro costuma intervir cedo — mas não para punir; para proteger.

E, no caso de Charlie, Nicole e Henry, a intervenção seria quase inevitável.

No Brasil, situações em que um responsável muda de estado ou cidade com a criança sem um acordo formalizado são vistas como alto potencial de conflito.
Não porque pressupõem má intenção — mas porque podem quebrar vínculos, alterar a estrutura emocional do menor e gerar insegurança afetiva.

A Justiça, então, entra para organizar aquilo que emocionalmente já se desorganizou.

É o que aconteceria com essa família se eles viessem ao meu consultório ou à Vara de Família de Goiânia.

Possíveis pedidos judiciais: guarda, convivência, mediação e urgência

Se a história se desenrolasse no Brasil, logo após a mudança de Nicole para Los Angeles (ou, no nosso cenário fictício, uma mudança de São Paulo para Goiânia), o primeiro passo provavelmente seria:

1. Pedido de regularização da guarda e convivência

Charlie poderia entrar com um pedido urgente, argumentando que:

– quer participar da rotina do filho,
– não foi consultado sobre a mudança,
– teme o afastamento emocional.

O juiz analisaria rapidamente, porque casos envolvendo crianças não podem esperar.

2. Pedido de mediação familiar obrigatória

Antes de transformar a disputa em litígio, o juiz poderia determinar mediação, para:

– tentar recompor a comunicação,
– entender as necessidades de ambos os pais,
– buscar acordos de convivência,
– preservar Henry da escalada emocional.

Essa recomendação está alinhada com autores como Minuchin, que enfatizam que famílias em crise precisam de reorganização, não de vencedores.

3. Organização formal da rotina da criança

Judicialmente, seria preciso definir:

– onde Henry mora,
– qual é a rotina semanal,
– qual é o cronograma de convivência com o outro genitor,
– como serão viagens, feriados, férias e deslocamentos.

Nada disso existia no filme, e é exatamente por isso que o caos se instala.

Quando o juiz determinaria uma Perícia Psicológica

A perícia psicológica é solicitada quando:

– há versões conflitantes,
– há mudança brusca de cidade,
– há sinais de risco emocional na criança,
– a comunicação entre os pais está rompida,
– as decisões afetivas estão contaminadas pela dor.

No caso do filme, todos os pontos acima estão presentes.

O juiz poderia determinar:

Perícia psicológica familiar, para avaliar:

– vínculo mãe-filho,
– vínculo pai-filho,
– impacto da mudança na criança,
– capacidade de ambos cuidarem emocionalmente de Henry,
– possíveis riscos psicológicos,
– estrutura familiar antes e depois da separação.

A perícia não julgaria quem está “certo”, mas investigaria algo mais importante:
quais decisões oferecem mais segurança emocional para Henry?

Como diz Bowlby, “a saúde emocional da criança depende menos da configuração familiar e mais da qualidade das relações que a sustentam”.

A perícia buscaria exatamente isso: a qualidade das relações.

Como o laudo influenciaria as decisões sobre Henry

Depois de entrevistas, observações, testes e análise da rotina, o laudo psicológico poderia apresentar ao juiz avaliações como:

1. Henry apresenta sinais de adaptação ansiosa?

Se sim, recomendação de acompanhamento psicológico infantil.

2. A mudança de cidade é prejudicial ao vínculo com o outro genitor?

Se sim, o laudo pode sugerir:

– retorno temporário,
– reorganização da guarda,
– plano de convivência mais equilibrado,
– manutenção obrigatória de contato contínuo com o genitor de fora.

3. Há sinais de manipulação emocional ou risco de alienação?

Mesmo que não haja alienação, o risco precisa ser tratado com seriedade.

4. O que seria melhor para Henry neste momento?

O laudo sugeriria:

– previsibilidade,
– rotina estável,
– contato contínuo com ambos os pais,
– redução da exposição ao litígio,
– acordos construídos com base no interesse do menor.

No filme, o desfecho emocional é bonito, mas chega tarde.
No Brasil, com a Psicologia Jurídica presente, esse cuidado poderia vir durante o conflito — e não apenas no epílogo.

Assim, Henry não precisaria sobreviver ao caos para depois reconstruir o que sobrou.

Ele seria protegido enquanto o caos acontece.

Se houvesse Psicologia Jurídica na história: o conflito teria sido menor?

Uma das perguntas mais dolorosas — e, ao mesmo tempo, mais necessárias — ao assistir História de um Casamento é: “Esse sofrimento todo poderia ter sido evitado?”

A resposta, do ponto de vista clínico e jurídico, é:
não totalmente… mas poderia ter sido muito menor.

O filme mostra um casal que demorou tanto para pedir ajuda que, quando finalmente o fez, o conflito já estava enorme demais. Como diz o filósofo Paul Ricoeur, “o sofrimento se amplifica quando não é reconhecido a tempo.”

Se houvesse intervenção precoce — sobretudo com psicólogos jurídicos, terapeutas familiares ou mediadores — a espiral de dor teria sido mais curta e menos intensa.
Henry, principalmente, teria sofrido menos.

Vamos imaginar juntos como seria essa intervenção.

O psicólogo jurídico não é terapeuta do casal.
Ele é um especialista em sofrimento familiar e em proteção infantil, capaz de ajudar os adultos a enxergar:

– padrões emocionais,
– falhas de comunicação,
– feridas antigas que viraram argumentos,
– e, principalmente,
como evitar que a criança seja transformada em campo de batalha.

No caso de Nicole e Charlie, a intervenção começaria assim:

1. Entrevistas individuais

Cada um poderia expressar suas versões, dores e expectativas — sem precisar se defender do outro.

2. Mapeamento do conflito

O psicólogo observaria:

– onde começou a ruptura;
– quais necessidades não foram atendidas;
– como essa dor contaminou a comunicação;
– e o que está afetando Henry.

3. Foco no que é comum e não no que os separa

A Psicologia Jurídica sempre pergunta duas coisas cruciais:

O que ambos desejam para a criança?
O que cada um pode fazer para proteger esse objetivo?

Essa pergunta, quando feita com cuidado, desmonta muitos muros.

Como já dizia Minuchin:
“Famílias entram em guerra quando esquecem que ainda são sistema.”

Nicole e Charlie esquecem disso por um tempo.
O psicólogo jurídico ajudaria a lembrá-los.

A importância da escuta neutra em processos litigiosos

A escuta neutra é a base da Psicologia Jurídica.
É a capacidade de receber as versões dos dois adultos sem tomar partido afetivo ou moral — apenas analisar o impacto emocional.

No caso do filme, essa escuta teria revelado:

– Nicole se sentia silenciada
– Charlie se sentia traído pela mudança
– Ambos se sentiam injustiçados
– Henry estava se ajustando em excesso

A escuta neutra ajuda a:

– reduzir fantasias (“ele quer tirar Henry de mim”),
– diminuir tensões,
– mostrar que ambos amam a criança,
– reorganizar a percepção do conflito.

E isso tem um efeito direto sobre a saúde emocional da criança.

Como diz Carl Rogers,
“quando alguém se sente profundamente ouvido, o conflito perde metade da força.”

É impressionante:
Frequentemente, só de serem escutados com neutralidade, os pais já mudam o tom.

O que poderia ter evitado a escalada de sofrimento

Vamos imaginar um cenário alternativo — o que poderia ter acontecido se o psicólogo jurídico estivesse presente desde o início:

1. A mudança de Nicole seria discutida antes de ser realizada

Isso já evitaria:
– sensação de traição,
– ressentimento,
– insegurança jurídica,
– e deterioração da confiança.

2. Um plano de convivência equilibrado seria criado

Combinando:
– dias de convivência,
– telefonemas diários,
– feriados,
– previsibilidade emocional.

A previsibilidade é um dos pilares do apego seguro, segundo Bowlby.

3. Orientação para evitar expor Henry ao litígio

O psicólogo explicaria:

– não pedir que a criança escolha,
– não questionar “com quem você prefere ficar”,
– não usar a criança como prova,
– não desabafar com ela.

Isso muda completamente o curso emocional de uma disputa.

4. Mediação terapêutica para reorganizar o diálogo

Uma mediação conduzida por psicólogo poderia ter evitado:

– guerra de advogados,
– narrativas distorcidas,
– humilhações mútuas,
– explosões emocionais.

5. Acordos flexíveis e reais, não punitivos

A psicologia ajuda os pais a fazerem acordos baseados em:

– disponibilidade real,
– rotina verdadeira,
– necessidades da criança,
– não em vingança ou medo.

6. A percepção de que o litígio não define a parentalidade

Mesmo separados, ainda são pais.

Foucault tem uma frase que se encaixa perfeitamente aqui:
“O poder deixa de ser opressão e se torna cuidado quando se volta para a vida do outro.”

No filme, quando Nicole e Charlie finalmente percebem isso, o conflito perde força.
No Brasil, com Psicologia Jurídica, essa percepção poderia vir antes — e não depois de tantas feridas.

Psicologia Jurídica e Perícia Psicológica em Goiânia – Daniele Pereira e Silva (3)

Mediação familiar: o que poderia ter acontecido antes do litígio

Se existe um ponto em História de um Casamento em que o rumo da história poderia ter mudado — sem dor, sem desgaste, sem feridas profundas — é exatamente antes da contratação dos advogados.

Ali, bem no início da ruptura, quando ainda havia diálogo possível, quando ainda havia espaço para escutar sem atacar, quando o amor não tinha virado argumento judicial…
ali era o momento perfeito para a mediação familiar.

É impressionante como o filme deixa isso claro: não faltava amor entre eles — faltava método. Faltava alguém para traduzir a dor, organizar os pedidos, conter a raiva antes que ela explodisse.

E é isso que a mediação faz.

A mediação familiar é um processo humanizado em que um profissional treinado — muitas vezes um psicólogo jurídico — ajuda o casal a construir decisões sem transformar a criança em moeda de troca.

É diálogo com bússola.

É conversa com estrutura.

É emoção com limites saudáveis.

Vamos imaginar como isso teria acontecido na história de Nicole e Charlie.

Estratégias que reduziriam danos emocionais à criança

Se a mediação tivesse acontecido antes dos advogados, ela teria começado por três pilares fundamentais:

1. Separar conjugalidade de parentalidade

Na mediação, sempre deixamos claro:

Vocês deixam de ser casal.
Mas continuam sendo pais.

Esse é o fio de ouro do processo.
Porque quando o casal tenta resolver feridas emocionais através do sistema jurídico, a criança sofre.

Bowlby reforça que, para a criança, é essencial que os vínculos que a sustentam permaneçam estáveis, mesmo que a relação conjugal termine.

2. Definir um acordo inicial de convivência

O objetivo não é “quem ganha mais tempo com Henry”,
mas como Henry pode ter contato com ambos sem sentir culpa ou medo.

Os acordos básicos incluiríam:

– horários,
– rotina,
– responsabilidades,
– comunicação clara,
– decisões sobre escola, saúde e atividades.

O que o filme mostra é o oposto disso.
O acordo não existe — e por isso tudo vira disputa.

3. Ajudar cada um a expressar o que realmente precisa

Nicole precisava ser vista.
Charlie precisava ser incluído.
Henry precisava ser poupado.

A mediação teria colocado esses três pedidos na mesa logo no início — antes de virarem acusações, ressentimentos ou litígio.

Minuchin descreve isso como “reorganizar fronteiras familiares antes que elas se tornem muros”.

Acordos mais equilibrados com ajuda profissional

Uma mediação estruturada ajudaria o casal a construir acordos que:

– fossem realistas,
– considerassem horários e necessidades reais,
– evitassem deslocamentos desgastantes,
– protegessem a rotina da criança,
– oferecessem equilíbrio emocional.

Por exemplo:

No filme:

Nicole leva Henry para Los Angeles sem prever como manter o vínculo com o pai.

Na mediação:

Eles teriam construído algo como:

• Henry passa o ano letivo em uma cidade
• Férias e feriados são divididos
• Ligações diárias ou em dias alternados
• Decisões importantes são tomadas a dois
• Manutenção do vínculo afetivo com ambos

Isso não é utopia — é exatamente o que fazemos todos os dias em mediação familiar.

E o mais importante:

A mediação teria impedido que Henry virasse mensageiro emocional entre os pais.

O que vemos no Brasil quando famílias buscam essa orientação

No Brasil, especialmente em Goiânia, vemos três cenários comuns:

1. Famílias que buscam mediação cedo

Nesses casos, o litígio nem chega a acontecer.
O acordo é construído com dignidade emocional.

2. Famílias que chegam tarde, mas ainda é possível reparar

Há mágoas, mas existe civilidade.
A mediação ajuda a reorganizar o caminho.

3. Famílias que só chegam quando o conflito explodiu

Aqui, a mediação ainda é possível, mas quase sempre é preciso também:

– orientação parental,
– avaliação psicológica,
– e, às vezes, perícia.

Nicole e Charlie caem exatamente no caso 3.
Se tivessem buscado ajuda no caso 1 ou 2, tudo teria sido diferente.

Como diz Hannah Arendt,
“o conflito que poderia ter sido falado, quando cala, se torna violência.”

Violência emocional, jurídica, afetiva.

A mediação é o contrário disso: é o espaço onde o conflito pode finalmente ser falado sem destruir ninguém.

Perícia Psicológica: o que mudaria a história

Quando um conflito familiar chega ao ponto em que o diálogo falhou, a mediação não avançou e a criança passa a apresentar sinais de sofrimento emocional, a Justiça precisa de algo que opiniões e suposições não conseguem oferecer: um olhar técnico, ético e profundo sobre a dinâmica daquela família.

É exatamente aqui que entra a Perícia Psicológica.

A perícia não trabalha com versões.
Não trabalha com culpas.
Não trabalha para favorecer um lado.

A perícia trabalha com fatos emocionais — aquilo que a criança demonstra, aquilo que os padrões relacionais revelam, aquilo que a história da família expõe quando observada por um profissional especializado.

No caso de História de um Casamento, a perícia teria transformado totalmente o rumo da história.

Não para decidir “quem é melhor”, mas para proteger Henry enquanto os adultos se reorganizam.

Etapas da perícia: entrevistas, testes e observações dirigidas

Uma perícia psicológica em casos como o de Nicole, Charlie e Henry seguiria passos muito bem definidos.

1. Entrevista individual com Nicole

O foco seria investigar:

– sua visão sobre a relação com Henry,
– sua história emocional pregressa,
– motivos da mudança de cidade,
– expectativas quanto à guarda,
– pontos de conflito com o ex-marido.

Não se trata de julgar, mas de compreender.

2. Entrevista individual com Charlie

Assim como com Nicole, o perito buscaria:

– sua percepção da ruptura,
– seu vínculo com o filho,
– suas práticas parentais,
– seu nível de sofrimento emocional,
– sua capacidade de oferecer previsibilidade e rotina.

3. Entrevista conjunta (apenas se indicada)

Em alguns casos, pode ser solicitado um encontro conjunto para observar:

– comunicação,
– hostilidade,
– cooperação,
– capacidade de negociação,
– possibilidade de coparentalidade.

4. Avaliação psicológica da criança

Aqui está o coração da perícia.

Henry passaria por:

– entrevistas lúdicas,
– desenhos temáticos,
– testes projetivos infantis (como o HTP, DFH ou CAT-A),
– conversas dirigidas,
– observação espontânea.

Essas técnicas permitem observar o que a criança não consegue nomear.

5. Observação do vínculo com cada genitor

O perito observaria Henry:

– brincando com Nicole,
– brincando com Charlie,
– reagindo à chegada de cada um,
– expressando preferências, medos ou tensões,
– mostrando sinais de hiperadaptação, culpa ou ansiedade.

Como dizia Winnicott, “o brincar revela a verdade emocional da criança”.
E a perícia sabe exatamente o que observar.

Comportamentos e vínculos que seriam avaliados

Durante o processo, o psicólogo jurídico investigaria pontos essenciais:

1. Apego seguro ou instável

Henry se sente seguro com ambos?
Demonstra ansiedade de separação?
Evita emoções?
Tenta agradar demais?

2. Sinais de sobrecarga emocional

Quando a criança vira mediadora emocional, ela apresenta:

– cansaço,
– irritabilidade,
– desempenho escolar oscilante,
– dificuldade de expressar sentimentos.

No filme, Henry mostra isso diversas vezes — embora em silêncio.

3. Coerência dos relatos dos pais

O perito examina se:

– as narrativas são contraditórias,
– há exageros emocionais,
– existem tentativas de manipulação,
– há omissões relevantes.

4. Capacidade parental de ambos

Aqui não se avalia “quem é melhor”, mas:

– quem consegue oferecer mais estabilidade,
– quem está emocionalmente disponível,
– quem compreende as necessidades da criança,
– quem está disposto a cooperar.

5. Efeitos da mudança de cidade

No Brasil, essa análise é crucial.

Pergunta-chave:
essa mudança fortalece ou enfraquece o vínculo da criança com o outro genitor?

Se enfraquece, o risco é elevado.

O que o laudo precisaria responder ao juiz

No final do processo, o laudo psicológico apresenta:

1. Como Henry está emocionalmente

Ansioso?
Confuso?
Tentando agradar aos dois?
Silencioso demais?

2. Como é a relação dele com cada genitor

Apego, conforto, diálogo, inseguranças.

3. Há risco de alienação parental?

Mesmo não havendo prática, o laudo identifica risco.

4. A mudança de cidade prejudica o vínculo paterno?

Provavelmente sim.

5. É necessário manter a criança próxima de ambos?

Quase sempre, sim.

6. Qual تنظيم (organização) de guarda protege mais Henry?

Guarda compartilhada com residência fixa e rotina previsível.

7. Quais intervenções são recomendadas?

– acompanhamento psicológico infantil,
– orientação parental,
– mediação contínua,
– manutenção de contato presencial frequente.

A perícia aponta um caminho que tem nome jurídico, mas sentido profundamente humano:
o melhor interesse da criança.

Como diz Bowlby,
“o que importa não é a estrutura familiar, mas a continuidade dos laços afetivos que a sustentam.”

A visão técnica sobre Henry: vínculos, rotina e melhor interesse

Quando pensamos em separações, é natural que os adultos imaginem que o ponto central é “quem tem razão”.
Mas, na Psicologia Jurídica, o foco nunca é esse.

O foco é outro, muito mais profundo:
como a criança está atravessando tudo isso — e como podemos protegê-la.

Henry é o coração emocional do filme.
E, quando olhamos para ele com os olhos de um psicólogo jurídico, percebemos nuances que o roteiro mostra com sutileza, mas que, na vida real, se tornam muito claras durante uma avaliação.

Henry não pede ajuda.
Henry não chora compulsivamente.
Henry não faz escândalos.

Mas Henry mostra tudo — nos gestos, nos silêncios, nas pequenas reações.

É aqui que entra a análise técnica.

Avaliação da relação mãe-filho e pai-filho

Do ponto de vista clínico e emocional, os vínculos de Henry com cada genitor são seguros — mas em risco.
E para entender isso, nos apoiamos na Teoria do Apego (Bowlby) e na teoria de Winnicott sobre “holding emocional”.

Com Nicole:

– Henry demonstra conforto, previsibilidade e um vínculo carinhoso.
– Contudo, apresenta sinais sutis de cuidado excessivo com o emocional da mãe, típico de crianças que sentem que o adulto está vulnerável.
– Isso pode gerar um fenômeno descrito por Bowen como parentificação emocional: a criança se torna responsável pelo bem-estar do adulto.

Com Charlie:

– Henry também demonstra afeto genuíno.
– Mas a distância geográfica e o conflito entre os pais colocam esse vínculo sob pressão constante.
– A criança tenta parecer feliz o tempo inteiro com o pai — um padrão de hiperadaptação.

Na avaliação psicológica, isso surgiria como:
um vínculo bom, mas ameaçado pela descontinuidade.

Nos dois casos, Henry tenta “segurar a emoção do adulto”.
Esse é o mais claro indicador de que a criança está sobrecarregada.

Winnicott diz que, quando isso acontece, “a criança perde a liberdade de ser ela mesma.”

Análise sobre mudanças de cidade: um ponto crítico

Talvez o elemento mais delicado — e juridicamente decisivo — na história seja a mudança de cidade.

No Brasil, mudanças que alteram o vínculo da criança com um dos responsáveis exigem uma análise criteriosa.
O psicólogo jurídico precisa responder duas perguntas essenciais:

1. A mudança compromete a constância do vínculo com o outro genitor?

No caso de Henry, sim.

2. A mudança foi pensada levando em conta as necessidades emocionais da criança?

No filme, não.

Henry é repentinamente deslocado de:

– sua escola,
– sua rotina,
– seus amigos,
– sua convivência com o pai.

Mesmo que Nicole ame o filho — e ela ama — isso não elimina o impacto da ruptura.

Bowlby é categórico sobre isso:
“rupturas súbitas no sistema de apego são percebidas pela criança como ameaça à segurança.”

E uma perícia psicológica mostraria exatamente isso.

O que poderia ser recomendado no Brasil:

– manutenção de convivência intensiva com o outro genitor;
– períodos longos de férias e feriados;
– chamadas de vídeo regulares;
– divisão equilibrada das responsabilidades;
– avaliação dos impactos de longo prazo;
– intervenção terapêutica, caso haja ansiedade de separação.

Repercussões emocionais e sugestões de encaminhamento

Uma avaliação técnica sobre Henry provavelmente chegaria às seguintes conclusões:

1. Henry precisa de previsibilidade emocional

Ele precisa saber:

– onde estará,
– quando verá o pai,
– quem é responsável por cada parte da rotina.

Previsibilidade = segurança.

2. Ele precisa ser protegido da sobrecarga emocional dos adultos

Isso significa:

– não usar Henry para provar nada em processo;
– não conversar sobre detalhes jurídicos com ele;
– não desabafar sobre o outro genitor;
– não colocá-lo para escolher.

3. Ele se beneficiaria de psicoterapia infantil

Não por “problema”, mas para ter um espaço neutro onde possa existir sem expectativas.

Como dizia Melanie Klein, “as crianças falam com o brincar aquilo que não conseguem dizer com palavras.”
E Henry tem muito a dizer.

4. A família precisaria de orientação parental

Para reorganizar:

– comunicação,
– fronteiras emocionais,
– expectativas,
– convivência saudável.

5. Recomenda-se guarda compartilhada com residência fixa estruturada

A essência do parecer seria:
é preciso evitar rupturas e preservar vínculos.

No fim, a pergunta que guia todo parecer psicológico é:

“Qual decisão aumenta o bem-estar emocional de Henry?”

E não:
“Quem tem razão?”

Essa diferença muda vidas.

O que o filme nos mostra sobre adultos em sofrimento

Uma das maiores potências de História de um Casamento é nos lembrar de algo que, na Psicologia Jurídica, vemos diariamente:
pais e mães que não são ruins — são apenas humanos demais no momento errado.

O filme mostra isso de forma crua.
Charlie e Nicole não são antagonistas.
Eles são adultos em sofrimento tentando sobreviver, cada um à sua maneira, à experiência mais desorganizadora de uma vida familiar: a ruptura inesperada.

E aqui está um ponto essencial:
quando adultos estão emocionalmente desorganizados, é quase impossível manter a parentalidade organizada.

É como dizia Winnicott:
“Um adulto que está caindo não consegue segurar uma criança.”

Esse é o eixo ético da Psicologia Jurídica:
proteger a criança enquanto os adultos tentam reorganizar suas quedas internas.

Vamos olhar para isso com mais profundidade.

Como mágoas não resolvidas viram armas emocionais

No início do filme, percebemos que Charlie e Nicole carregam mágoas antigas — não faladas, não elaboradas, não reconhecidas.
Quando a separação acontece, essas mágoas se transformam rapidamente em:

– acusações,
– leituras distorcidas,
– narrativas defensivas,
– silêncio agressivo,
– tentativas de provar que “o outro” sempre foi o problema.

Isso acontece porque, como diz Carl Rogers,
“o conflito externo é quase sempre a expressão de um conflito interno não reconhecido.”

Nicole se sente traída não pela pessoa de Charlie, mas pela sensação de ter se perdido de si mesma.
Charlie se sente atacado não pela escolha de Nicole, mas pela ideia de ter falhado como marido.

Cada um luta com seus próprios fantasmas — mas, sem perceber, começam a lutar também um contra o outro.

E Henry vira espectador desse duelo emocional.

A Psicologia Jurídica chama isso de contaminação do espaço conjugal no espaço parental:
quando a dor da conjugalidade invade a relação de parentalidade.

É aqui que o sofrimento dos adultos transborda para a criança.

O perigo de transformar a criança em mediadora emocional

O filme é cheio de pequenos momentos em que Henry é colocado como ponto de apoio emocional:

– a maneira como Nicole tenta provar que Henry está bem com ela;
– o modo como Charlie tenta manter a relação leve para não magoá-lo;
– as perguntas indiretas que ambos fazem para validar suas próprias escolhas;
– os silêncios carregados que Henry percebe, mas não sabe decodificar.

Na Psicologia Jurídica, vemos isso com frequência:
a criança vira ponte quando deveria ser porto.

E quando ela vira ponte, algo perigoso acontece:

A criança passa a sentir que precisa “resgatar” os adultos.

Ou seja:

– tenta agradar o tempo todo,
– evita chorar,
– tenta parecer forte,
– evita conflitos,
– assume a função emocional que não deveria ter.

Bowen chamou esse fenômeno de parentificação emocional — quando a criança é puxada para cima da idade emocional da família para ocupar um lugar que não é seu.

No filme, Henry vive exatamente isso.

E, na vida real, esse tipo de sobrecarga emocional costuma aparecer em perícias como:

– ansiedade generalizada,
– irritabilidade,
– evasão escolar,
– fobia social,
– bloqueios afetivos,
– dificuldades em expressar emoções.

O perigo não é a separação em si — mas a função afetiva que a criança passa a ocupar durante a separação.

Quando adultos estão afogados na própria dor, eles não conseguem perceber que a criança está afundando também — mas em silêncio.

É por isso que a Psicologia Jurídica, a psicoterapia e a perícia psicológica existem:
para captar aquilo que a criança não consegue dizer.

Na escuta clínica, algo muito importante acontece:

1. O adulto é acolhido na dor,

para que possa voltar a oferecer sustentação emocional.

2. A criança ganha um espaço neutro,

um lugar onde ela não precisa agradar ninguém.

3. O conflito é traduzido em impacto emocional,

para que a decisão judicial seja feita com base no que realmente importa.

Como diz Byung-Chul Han,
“o sofrimento só encontra sentido quando alguém o escuta.”

Quando adultos sofrem sem serem escutados, eles derramam sua dor sobre quem está mais vulnerável: a criança.

Quando adultos são escutados — com técnica, empatia e limites —
eles voltam a ver que Henry não é parte do problema, mas alguém que precisa ser protegido do problema.

A escuta psicológica, especialmente em contextos jurídicos, tem essa função quase artesanal:
tirar o excesso emocional dos pais para que a criança possa respirar.

O que acontece no final: decisões centradas na criança

O momento final de História de um Casamento é sutil, delicado e profundamente simbólico.
Não há sentenças lidas num tribunal, não há declarações dramáticas, não há “vencedores”.

O que há é algo infinitamente mais importante:
o reconhecimento tardio de que Henry não precisava de um pai perfeito, nem de uma mãe perfeita — ele precisava que ambos voltassem a vê-lo, e não apenas ao conflito.

O filme encerra com uma decisão emocional, não jurídica:
Nicole flexibiliza.
Charlie cede.
Henry finalmente respira.

É uma escolha que nasce não de advogados, mas de humanidade.
E, ao assistir, a sensação é clara: é isso que a Psicologia Jurídica tenta construir desde o início de qualquer processo familiar.

Vamos analisar mais de perto.

Por que o final do filme é tão significativo

A cena em que Charlie lê a carta que Nicole escreveu — lembrando tudo de bom que ele é como pai — é o ponto de virada emocional.
Ela havia escrito no início, mas só entrega no final.
Ali, o conflito perde o veneno.

Carl Rogers explica esse fenômeno como “reconhecimento emocional”:
quando o outro é visto em sua humanidade, a escalada do conflito perde força.

No fim, Nicole reconhece:

– que Charlie é importante na vida do filho;
– que há coisas que só ele pode oferecer;
– que o vínculo entre eles dois — enquanto pais — continua existindo.

E Charlie reconhece:

– que Nicole tinha necessidades não ouvidas;
– que houve falhas — mas não falta de amor;
– que o filho precisa de estabilidade, não de uma disputa infinita.

Esse reconhecimento mútuo gera algo que, na Psicologia Jurídica, chamamos de cooperação parental restaurada:
quando os pais, mesmo separados, se unem ao redor daquilo que nunca deixou de ser comum — o amor pela criança.

É o que o final simboliza:
um tipo de paz que não é perfeita, mas é suficiente.

Como o Brasil poderia aplicar o princípio do “melhor interesse da criança”

O final do filme é bonito, mas na vida real, essa virada emocional precisa de estruturas técnicas, não apenas de boa vontade.

No Brasil, decisões judiciais envolvendo crianças são guiadas por um princípio fundamental:
o melhor interesse da criança.

E isso significa:

1. Priorizar vínculos estáveis

Mesmo que os pais não se entendam.
O vínculo da criança é prioridade.

2. Proteger a criança da guerra emocional dos adultos

Nenhuma criança deve ser ponte, escudo ou prova.

3. Garantir convivência equilibrada

Sem punições emocionais.
Sem tentativas de afastamento.
Sem decisões impulsivas.

4. Evitar mudanças Bruscas de rotina

Principalmente envolvendo cidade, escola e rede de suporte.

5. Incentivar coparentalidade funcional

Mesmo que a conjugalidade tenha terminado,
a parentalidade continua — e precisa ser cuidada.

A Psicologia Jurídica ajuda o juiz a compreender o que a criança precisa em cada contexto.
No caso de Henry, a resposta seria clara:

– previsibilidade;
– rotina;
– afeto dos dois lados;
– menos tensão emocional;
– proteção contra a pressão dos adultos;
– continuidade do vínculo com ambos os pais.

Essa seria a recomendação técnica no Brasil — e é exatamente o que o final do filme mostra de forma poética.

A importância de acordos saudáveis em qualquer país

Acordos saudáveis não acontecem quando um “vence”, mas quando ambos concordam com o essencial:
a criança precisa de ambos, e precisa que ambos estejam emocionalmente disponíveis.

O final do filme mostra que:

– Nicole flexibiliza horários.
– Charlie aceita se ajustar à rotina.
– Henry pode caminhar entre as duas casas sem sentir culpa.
– Os pais encontram uma forma de existir como família, mesmo separados.

Esse é o ponto:
Não existe família “quebrada”.
Existe família que se reorganiza.

Como dizia Winnicott,
“o que sustenta uma criança não é uma estrutura perfeita, mas uma estrutura suficientemente boa.”

O final de História de um Casamento nos lembra disso:
mesmo depois de tudo, ainda é possível reconstruir uma estrutura suficientemente boa.
E é exatamente esse o objetivo da Psicologia Jurídica — fazer com que essa reconstrução aconteça antes que o sofrimento se torne irreparável.

O que fica para pais, famílias, advogados e profissionais

Ao final de História de um Casamento, fica uma sensação agridoce:
percebemos tudo o que poderia ter sido evitado — e ao mesmo tempo, entendemos que não existe família que passe por uma separação sem atravessar alguma dor.

O que diferencia uma separação devastadora de uma separação saudável não é o fim do relacionamento, mas a forma como os adultos lidam com o processo.

E essa é a grande mensagem que o filme nos deixa — e que a Psicologia Jurídica reafirma todos os dias:

👉 A conjugalidade termina.
👉 Mas a parentalidade continua.
👉 E a criança não pode ser a ponte emocional entre duas dores adultas.

Enquanto psicóloga clínica e jurídica, é impossível assistir ao filme sem pensar em todas as famílias que chegam até mim em Goiânia vivendo exatamente esse ponto de ruptura:
cheias de amor, cheias de mágoas, cheias de expectativas, cheias de medos — e com uma criança tentando existir no meio de tudo isso.

Por isso, ao olhar para a história de Nicole, Charlie e Henry com as lentes da Psicologia Jurídica, algumas mensagens ficam muito claras:

1. A criança precisa ser protegida da guerra emocional dos adultos

Mesmo que sutil, mesmo sem intenção, o conflito escorre.
E quando escorre, ele atinge primeiro quem menos tem defesa.

Como diria Winnicott:
“A criança é sempre o primeiro sintoma do que a família não conseguiu elaborar.”

2. Diálogo estruturado quase sempre evita litígios que destroem vínculos

Mediação precoce, orientação parental e escuta profissional fazem milagres que os advogados — por mais competentes que sejam — não conseguem fazer sozinhos.

Separar conjugalidade de parentalidade não é instintivo.
É aprendido.
E precisa ser acompanhado.

3. A Perícia Psicológica existe para defender o que é invisível aos olhos jurídicos

O juiz vê petições.
O perito vê emoções.
E decidir sobre crianças exige visão dupla.

A perícia ajuda a responder a pergunta que realmente importa:
o que faz bem para Henry?

Nem sempre isso corresponde ao desejo de um ou outro adulto.
Mas sempre corresponde ao futuro da criança.

4. Famílias não acabam — elas mudam de forma

Quando existe cuidado, respeito e proteção emocional, a família continua existindo mesmo depois do divórcio.

Em vez de ruptura, vira reorganização.
Em vez de trauma, vira reconstrução.
Em vez de guerra, vira caminho.

Como escreveu Hannah Arendt,
“não somos definidos pelo que nos despedaça, mas pelo que escolhemos reconstruir após a queda.”

5. Separar com humanidade é possível — e é um ato de amor pela criança

O filme mostra que a paz só chega quando o reconhecimento do outro finalmente aparece:
quando Nicole vê o pai que Charlie é;
e quando Charlie vê a mulher que Nicole sempre quis ser.

Essa virada emocional — que vem tarde no filme — poderia ter vindo cedo na vida real se houvesse:

– mediação,
– escuta psicológica,
– acompanhamento especializado,
– e proteção do vínculo de Henry desde o início.

A Psicologia Jurídica trabalha exatamente para isso:
para que a criança não precise atravessar a tempestade antes da chegada da calmaria.

Porque, no fim das contas, todo processo envolvendo crianças tem uma única pergunta que precisa ser respondida com honestidade:

O que essa criança precisa para continuar sendo criança?

E é nessa pergunta que a Psicologia Jurídica encontra sua missão.

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Se você está passando por um conflito familiar, suspeita de alienação parental, disputa de guarda ou precisa realizar uma perícia psicológica com ética, sensibilidade e responsabilidade profissional, a psicóloga clínica e jurídica Daniele Pereira e Silva pode te ajudar.

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Seu caso será acolhido com a escuta técnica e humana que cada família merece.

Referências

BAUMBACH, Noah (Direção). História de um Casamento (Marriage Story). Produção de David Heyman; Noah Baumbach. Estados Unidos: Netflix, 2019. 1 filme (137 min.), son., color.

BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 249 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 ago. 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br. Acesso em: 27 nov. 2025.

BOWLBY, John. Apego: a natureza do vínculo. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

BOWLBY, John. Separação: angústia e raiva. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

BOWEN, Murray. Family Therapy in Clinical Practice. New York: Jason Aronson, 1978.

DOLTO, Françoise. Quando os pais se separam. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2001.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 2015.

HAN, Byung-Chul. A Sociedade do Cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

KLEIN, Melanie. O desenvolvimento psíquico na infância. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

MINUCHIN, Salvador. Famílias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2008.

RICOEUR, Paul. Sofrimento, responsabilidade e narrativa. São Paulo: Loyola, 2014.

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WINNICOTT, Donald W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 1982.

WINNICOTT, Donald W. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: LTC, 1983.

Psicologia Jurídica e Perícia Psicológica em Goiânia – Daniele Pereira e Silva (6)

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